Olá pessoal, abaixo publico o texto feitocomo trabalho final da disciplina de Seminário e para quem interessar, uma boa leitura. Amauri Lírio
CULTURA – COMUNICAÇÃO – TECNOLOGIA
Não há como negar as influências que as tecnologias provocam na cultura e na comunicação. Com a Internet houve a aproximação de povos, culturas, saberes, etc tornando-se hoje gigantesca máquina de contato e de troca de informações, cada vez mais presente em nosso dia a dia. Lessig (2005, p. 34) diz que “a medida que a Internet integrou-se à vida cotidiana, ocasionou mudanças. Algumas técnicas – a rede tornou as comunicações mais rápidas, reduziu custos de pesquisa, e assim por diante”.
Através da Internet estabeleceu-se um novo espaço e tempo de interação social, em que surgem novas formas de comunicação e sociabilidade. Os valores, as atitudes e modos de pensamento estão sendo cada vez mais condicionados por este novo espaço de comunicação, que surge da intercomunicação mundial dos computadores, denominado de ciberespaço.
Quanto mais pessoas tiverem acesso ao ciberespaço, mais se desenvolveram novas formas de sociabilidade, o que implicará num aumento de apropiraçãos de informações pelos mais diferentes atores, que terão a possibilidade de produzir, fazer circular e consumir a informação presente de acordo com seus próprios valores (culturais, estéticas), difundindo-as por sua vez de uma nova maneira.
Lemos (2006) coloca que essa difusão provocada pelas novas tecnologias e comunicação alteram os processos de comunicação, de produção, de criação e de circulação de bens e serviços. Fazendo então emergir a cibercultura, “trata-se de uma nova relação entre as tecnologias e a sociabilidade, configurando a cultura contemporânea” (LEMOS, 2006, p. 52).
A cibercultura é resultado de uma crescente troca social sob vários formatos, tais como: blogs, chats, fóruns, orkut, pod-casts, sistemas peer to peer, entre outros. Com a cibercultura tem enriquecido a diversidade cultural mundial, ou seja, dinamizando a cultura em nível planetário. A cibercultura está pondo em sinergia processos de cooperação, de troca e de modificação criativa de obras, dada as características da tecnologia digital em rede.
A cibercultura coloca a humanidade diante de um caminho sem volta: já não somos como antes, devido a avidez dos usuários para experimentar coletivamente formas de comunicação diferentes daquelas que as mídias clássicas nos propõem. Bem como, em conseqüência de estarmos vivendo a abertura de um novo espaço de comunicação, e cabe apenas a nós explorar as potencialidades mais positivas deste espaço nos planos econômico, político, cultural e humano. Os espaços se encurtam, a comunicação se expandiu.
Porém, a cibercultura sofre influência de três leis fundadoras, que são: “a liberação do pólo de emissão; o princípio de conexão em rede e a reconfiguração de formatos midiáticos e práticas sociais” (LEMOS, 2006, p. 53). Essas leis vão direcionar os processos de “re-mixagem” contemporâneos. Já que o princípio que rege a cibercultura é a “re-mixagem”, “conjunto de práticas sociais e comunicacionais de combinações, colagens, cut-up de informação a partir de tecnologias digitais” (LEMOS, 2006, p. 52).
Tudo isso levou a uma dissolução do autor, do original e obra, restando somente processos abertos, coletivos e livres. Proporcionando para a cibercultura uma nova estrutura midiática, em que “pela primeira vez, qualquer indivíduo pode, a priori, emitir e receber informação em tempo real, sob diversos formatos e modulações, para qualquer lugar do planeta e alterar, adicionar e colaborar com pedaços de informação criados por outros” (LEMOS, 2006, p. 54).
Estamos então vivendo uma cultura de compartilhamento, a cultura “copyletf”, que “é um modelo para contratos de adesão que busca corrigir falhas sociais no direito autoral padrão” (LEMOS, 2006, p. 62). Por meio do copyleft, que é a estrutura qualquer dinâmica identitária e cultural, a troca, as influências mútuas, a cooperação. Assim, a cibercultura, ao instaurar uma cultura planetária da troca e da cooperação, estaria resgatando o que há de mais rico na dinâmica de qualquer cultura.
Cabe destacar que a riqueza de qualquer sociedade sempre está associada à complexidade de sua cultura, ou seja, à força do seu poder criativo e empreendedor. A comunicação, neste sentido, é a forma pela qual uma sociedade põe em marcha e intercambia o conjunto de seus empreendimentos, sejam eles artísticos, sociais, políticos, científicos ou técnicos. Uma cultura complexa é uma cultura plural, aberta, circulando livremente pelo corpo social. A criatividade está na originalidade da circulação de diversas formas culturais, incluindo aí sua riqueza artística e intelectual, seu habitus social, sua criatividade simbólica, imaginária, científica e técnica.
A arte eletrônica é um exemplo da nova forma do fazer artísitco que a cibercultura possibilitou, em que a recombinação é realizada por meio de processos abertos, coletivos e inacabados. A partir das tecnologias digitais a arte eletrônica, como por exemplo a música eletrônica, ganha novos espaços e novas formas de comunicação mediada por computador. Há sites direcionados por estes dois novos formatos, Amaral (2007, p. 96) cita o MySpace,
O MySpace (…) permite a criação de perfis, incluindo fotos, vídeos, músicas e postagens em um blog, acesso a comunidades (…) pela facilidade de postagem de música e vídeos (do site YouTube), ele acabou chamando a atenção de vários produtores de música, bandas/DJs dos mais variados gêneros e tornou-se uma importante fonte de informações sobre turnês, datas e lançamentos de álbuns para as revistas/sites/jornais especializados em música.
Proporcionando assim a autopromoção e auto-apresentação, seja na divulgação de datas de turnês e shows, tanto para artistas já renomados como os que estão em busca de ascensão. O site ainda disponibiliza que sejam deixados recados para os artistas, opinando sobre alguma coisa, divulgando assim o show, a festa ou até o mesmo o álbum. Amaral (2007, p. 100) coloca ainda que
a música eletrônica (…) encontra na rede um vetor de disseminação não apenas visual, mas principalmente social, com base em constante aumento de seu capital subcultural de trocas em circunstâncias on-line, não como um local distinto ou à parte do off-line, mas como um território exploratório de práticas comunicacionais entre seus membros
Sob esta ótica, a Internet “desencadeou a possibilidade extraordinária de que muitos construam e cultivem cultura, com resultados que vão muito além dos limites locais. Esse poder mudou o mercado de criação e cultivo da cultura em geral, e esse mudança por sua vez ameaça as indústrias de conteúdo estabelecidas” (LESSIG, 2005, p. 36). Ou seja, há corporações que sentem-se ameaçadas, estão “usando seu poder para forçar a lei a protegê-los contra essa nova tecnologia de construir cultura, que é mais eficiente e mais vibrante” (LESSIG, 2005, p. 37).
Geralmente essas corporações fazem uso do software proprietário, que é aquele cuja cópia, redistribuição ou modificação são em alguma medida proibidos pelo seu criador ou distribuidor. Mas há um outro grupo que se utiliza de software livre, que segundo a definição criada pela Free Software Foundation é qualquer programa de computador que pode ser usado, copiado, estudado, modificado e redistribuído com algumas restrições. A liberdade de tais diretrizes é central ao conceito, o qual se opõe ao conceito de software proprietário, mas não ao software que é vendido almejando lucro (software comercial). A maneira usual de distribuição de software livre é anexar a este uma licença de software livre, e tornar o código fonte do programa disponível (http://pt.wikipedia.org/wiki).
Como podemos ver a Internet, portanto, converteu-se em um espaço público fundamental para o fortalecimento das demandas dos atores da sociedade civil, que conseguem contornar a desigualdade de recursos para ampliar o alcance de suas ações e desenvolver estratégias de luta mais eficazes. A Internet é um espaço que possibilita novos caminhos para interação política, social e econômica, principalmente pelo fato de que nela qualquer cidadão pode assumir, ao mesmo tempo, uma variedade enorme de papéis – como cidadão, militante, editor, distribuidor, consumidor, etc. –, superando as barreiras geográficas e, até certo ponto, as limitações econômicas (MACHADO, 2003).
Amauri Lírio
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AMARAL, Adriana. A estética cibergótica na Internet: música e sociabilidade na comunicação do MySpace. In: Comunicação, Mídia e Consumo: comunicação e arte. Escola Superior de Propaganda e Marketing. Ano 4, v. 4, n. 9. São Paulo: ESPM, 2007. p. 87-103.
LEMOS, André. Ciber-cultura-remix. In: Araújo, Denize Correa (org.). Imagem(Ir) realidade: comunicação e cibermídia. Porto Alegre: Sulina, 2006. p. 52-65
LESSIG, Lawrence. Cultura livre: como a grande mídia usa a tecnologia e a lei para bloquear a cultura e controlar a criatividade. São Paulo: Trama, 2005. p. 29-68.
MACHADO, Jorge. Internet, ativismo político e controles governamentais. Paper apresentado no XI Congresso da Sociedade Brasileira de Sociologia. Campinas, 1 a 5 de set. de 2003. Disponível em: <http://www.forum-global.de/bm/paper/netpol-machado.htm>. Acesso em 30 out. de 2007.
SOFTWARE LIVRE. [s/d]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki>. Acesso em 30 out. de 2007.
Escrito por Disciplina de Seminário Unijui
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