Antes de dar respostas, procuramos fazer perguntas. Indagar e questionar sobre Comunicação e tudo que é relacionado à ela é o objetivo do Discutindo Comunicação, blog da disciplina de Seminário do curso de Comunicação Social da UNIJUI. Ampliar o diálogo que irá começar dentro da sala de aula e dar espaço para todos que desejarem expressar suas opiniões a respeito de temas diversos. Interagir com todos sujeitos interessados ou curiosos sobre o que é Comunicação e como se insere na sociedade. Apresentar propostas, teses, teorias, hipóteses ou simplesmente piadinhas irônicas. Bem vindos ao Discutindo Comunicação, puxa a cadeira, encha seu copo e nos conte uma estória.
Outubro 15, 2007 às 3:32 pm
INTRODUÇÃO
A disciplina de Seminário I permitiu que os acadêmicos olhassem a Web de uma maneira diferente do que se costuma olhar. Observamos não como usuários, mas sim como produtores e avaliadores desse sistema. As leituras, discussões e debates contribuíram para surgir em cada um, vários questionamentos, muitos relacionados ao futuro da profissão. Esse artigo visa o entendimento da relação entre cultura livre e produção colaborativa em blogs. Acreditamos que essa relação seja muito importante para a compreensão dos novos modelos de produção na web a partir da democratização das ferramentas e abertura dos pólos de produção e emissão de produtos.
O TEXTO EM BLOGS CORPORATIVOS
“Ferramentas democráticas deram às pessoas comuns uma maneira de se expressarem mais facilmente do que qualquer tecnologia anterior havia dado”. Essa frase de Lessig, (2005, p.55) está relacionada com a fotografia, mas cabe também relaciona-la com as ferramentas que temos na Web. Ferramentas conhecidas como os blogs, MSN, orkut, You Tube. Muito se fala em “novas tecnologias”, mas precisamos considerar a sua importância, sua evolução a partir do seu uso como ferramenta para a realização de alguma coisa. De que adiantaria o descobrimento da fotografia, do armazenamento em negativos e da ampliação se isso não seria usado como ferramenta para documentar grandes momentos da História? O mesmo acontece hoje, temos a tecnologia, uma rede peer- to- peer, mas se não utilizarmos esta como ferramenta na construção de blogs ou demais sites colaborativos, não terá importância alguma.
Também é necessário democratizar essas ferramentas, como na fotografia, a redução dos custos das máquinas ajudou e muito na popularização desse tipo de texto e os fotógrafos “profissionais” não perderam seu espaço para os “amadores”. Com a Web passamos pelo mesmo caminho: precisamos ter acesso a Internet, a essa rede para podermos trabalhar com as ferramentas, contudo apenas o acesso não basta. É preciso conhecer o funcionamento e objetivo da ferramenta. Daley apud Lessig (2005, p. 59) explica que:
O aspecto mais importante da democratização digital não é o acesso a uma caixa. É a habilidade de criar na língua da máquina. Caso contrário, apenas uns poucos poderão escrever nessa língua e o resto de nós vai estar reduzido ao papel de receptores.
A habilidade de criar na língua apropriada é uma questão de educação. Alguém precisa aprender e alguém deve ensinar. De acordo com Lessig, (2005, p. 59) alfabetização é “capacitar pessoas a escolher a linguagem apropriada para o que precisam criar ou expressar”, pois “o poder da mensagem depende da conexão com a sua forma de expressão”. Hoje temos várias formas de expressão, entre elas a música, a dança, as imagens, os vídeos e áudios. A escrita hoje não é a mais importante, o texto é um sistema construído com as diferentes formas de expressão.
O blog, por exemplo, é uma ferramenta em que o texto mistura imagens, opiniões diferentes (ou não), escrita, vídeos etc. Além do mais, é construído por pessoas comuns, meros cidadãos que escrevem quando querem escrever, sem pressões comerciais, diferentemente da grande mídia, onde é preciso trabalhar para manter atenção. Se perderem leitores, perdem dinheiro. Lessig acrescenta que “os blogs permitem um debate público sem que o público precise se encontrar em um só lugar público.”
O autor diz que esse debate público afeta a democracia, pois não há ninguém que controla as opiniões. Segundo o autor, (Lessig, 2005 p.66), “os blogs vão mudar o modo de as pessoas entenderem questões políticas”. Acredita-se que não só questões políticas mas o modo como as pessoas vêem o mundo. Com o modo de construção colaborativa, serão várias as maneiras das pessoas expressarem suas idéias e vários serão os conteúdos das discussões e dos debates.
A informação/notícia não será construída apenas pelo jornalista profissional, que possui uma série de fatores que envolvem na construção de uma notícia, mas sim terá o aparato de uma sociedade, de um grupo que talvez até participou do fato em questão. A riqueza de dados com a colaboração, com o jornalismo participativo é incomparável ao breve levantamento de dados realizados hoje pelo profissional e que ainda passa por uma filtragem da equipe de edição de um MCM comercial.
A autora Ana Regina (LEAL, 2007, p.108) diz que o Jornalismo como “instituição pública voltada para a prestação de serviços sociais e defesa da liberdade, enfrenta crise existencial”. Acredita-se que seja pelo novo modelo de jornalismo, o wikijornalismo ou jornalismo colaborativo, que cria novas regras de construção da notícia.
De acordo com Ramonet (1999, p. 60) apud Leal (2007, p.110), a informação “era constituída pelo evento, pelo jornalista e pelo cidadão (…) agora, transformou-se em um eixo, de um lado o evento, de outro o cidadão. A função do jornalista desapareceu.”
O webjornalismo está sendo chamado de open source journalism, como é realizado de forma aberta, o questionamento é em relação à figura do jornalista como filtrador ou gatekeeper, pois estão em fase de transformação com esse novo modelo.
Segundo a autora Ana Regina, (2007, p.111) esse modelo surgiu com “o desenvolvimento de softwares peer -to- peer cujo princípio centra-se na cooperação e no compartilhamento de recursos tecnológicos, permitindo que jornalistas e não jornalistas produzam, chequem e debatam as informações publicadas”.
Algo que já vem ocorrendo em blogs agora pode ser analisado como uma nova atividade, ou uma nova maneira de trabalhar com a informação jornalística. Um questionamento também ocorre com essa questão: a informação veiculada por um cidadão pode ser uma informação jornalística ou notícia?
O que sabemos é que com o surgimento de sites colaborativos, aumentam as possibilidades de surgimento de novos “jornalistas”. Muitos têm se preocupado com o futuro do Jornalismo profissional, mas como exemplo do Centro de Mídia Independente – Brasil é possível constituir um site a partir do wikijornalismo/open source journalism com uma equipe de profissionais que atuam como editores do que está sendo publicado, como uma espécie de “filtro”, não retirando a responsabilidade do autor da matéria. Uma maneira leve de controlar, organizar e hierarquizar as “notícias” enviadas pelos wikis, por cidadãos que interagem e integram essa dinâmica.
Como o texto no blog é um sistema, acredita-se que é daí o seu sucesso, por acumular imagens, vídeos, opiniões diferentes e ser construído por várias pessoas, permite que possamos ter acesso a muitas versões sobre determinados assuntos, ou nos aprofundarmos naquilo que julgamos importante e que a grande mídia (comercial), as vezes não dá a atenção devida.
O BLOG EMPRESARIAL
Embora a realidade de mercado ainda não seja essa, é muito importante que as empresas se adaptem às novas exigências do mercado de trabalho, levando em consideração a inclusão dos novos meios comunicativos. Os sistemas de criações destes meios são muito atrativos pela facilidade, eficácia, eficiência e rapidez que oferecem, contudo, formam um campo muito vago e amplo.
Vimos que estes sites corporativos contam com algumas ferramentas que ajudam a classificar informações a respeito das organizações ou comunidades.
Segundo Jonathan Shwartz, presidente da Sun Microsystems, “possuir seu próprio blog será tão obrigatório quanto possuir um e-mail ou um telefone, quem não tiver um blog se tornará inútil” (CIPRIANI, 2006, p.141). Acreditamos que essa colocação é um pouco exagerada, porque o blog não pode ser entendido como uma ferramenta obrigatória, mas sim de livre espontânea vontade já que a sua utilização pelas empresas está se tornando um diferencial competitivo num mercado em que a concorrência investe em tecnologia, pesquisas para buscar a inovação. Além do mais os blogs vieram para colaborar na comunicação, por este motivo é preciso aprender a usá-lo com coerência e coesão em prol de uma comunicação mais eficiente.
Para isso não deve ser um ato obrigatório, mas sim um ato de muita responsabilidade, inclusive a responsabilidade social, porque quando existe a obrigatoriedade nem sempre a força de vontade reina e as pessoas acabam trabalhando sem nenhuma preocupação no assunto, simplesmente agindo como um dever que deve ser cumprido.
Este é um aspecto que não retira o lado negativo que um blog pode possuir ou que os blogueiros podem o fazer possuir, por um determinado tempo. Existem também algumas polêmicas entre os editores e os participantes dos blogs que de uma maneira ou de outra sistematizam e geram conflitos, em função da diversidade de opiniões, que leva muitas vezes à trocas de informações desnecessárias, esquecendo de alguns detalhes e colocando certos aspectos de exposição pessoal, que poderão constituir certa fragilidade ou arrependimento no futuro. Isso deve ser considerado, pois os blogs não são um meio sem fim, a responsabilidade deve ser primordial ao escrever para um nicho ou para a “massa”.
Segundo Cipriani, (2006, p.52) é “importante que alguém na empresa monitore o que os funcionários estão escrevendo em seus blogs”. Sabemos que a utilização de blogs nas empresas consiste numa interação mais próxima da realidade, por este motivo cada um (funcionário, blogueiro) tem que ser responsável pelos seus atos, é interessante que as empresas que adotem este veiculo de comunicação estabeleçam as regras, normas e políticas para seu uso, a partir daí cada individuo ou blogueiro decide sobre seus posts e seja responsável perante seus atos.
Ainda é muito cedo para que as empresas confiem totalmente nos blogs, eles não permitem resposta ao feedback de forma direcionada, pois é feito a partir de textos que comentam o conteúdo postado pelos outros usuários, mas sempre de uma forma genérica e não personalizada. O autor abordou muito sobre o tema, mas esqueceu de salientar que a falta de cultura ainda atrapalha o amadurecimento e desenvolvimento desta nova ferramenta. As empresas ainda estão com medo e confusas com relação aos blogs porque não entenderam os objetivos destes fóruns de discussão virtual, por se tratarem de um espaço aberto, todo o cuidado é pouco com o que será escrito.
O blog é um canal direto onde as pessoas podem contribuir com as discussões, ler e comentá-las, por isso as instituições devem ter cuidado ao publicar informações oficiais. Por isso as orientações de Cipriani ( 2006), em relação à linguagem, ao assunto do blog e sua finalidade, de acordo com o autor, “a voz do blog estará transmitindo a marca da empresa”, daí a necessidade de um trabalho de comunicação integrada para que todos falem a mesma língua, mantendo ou criando uma imagem e uma identidade única.
CONCLUSÃO
As experiências colaborativas ganham força a cada dia vem mudando as formas de percepção da vida em comunidade e do modo de ver o mundo. Essa mudança está ocorrendo a partir da liberação do campo da produção, que permitiu a qualquer usuário poder compartilhar seu conhecimento com a coletividade.
Há maior liberdade de expressão com o wikijornalismo. O princípio capitalista, as relações de trabalho e valoração dos colaboradores desaparecem no open source journalism.
A criatividade e o conhecimento da linguagem apropriada para seu público é a base para manter a ferramenta blog em ação. As possibilidades com a web são infinitas, acredita-se que nada vai deixar de existir, como o Jornalismo tradicional, até porque ainda existem barreiras como o acesso à rede para que tudo isso possa se realizar, por isso não é o fim de nada, mas uma transformação.
Assim como se transformam as opiniões, os lugares, as culturas e os modelos, assim acontece com o webmundo. Já dizia o filósofo..” nada se cria, tudo se transforma”, é o remix cada vez mais presente e atuante na nossa cultura.
NADYLET NAHUTARANE SARAIVA E NEILA FABIANE DARONCO
Março 7, 2008 às 6:38 am
Junho 10, 2008 às 3:25 pm
Olá, você teria alguma bibliografia onde encontro o conceito de autoria coletiva?
Obrigada