Web, Imagem e Narcisismo

O olhar que constrói

Estamos no limiar de uma nova era: globalização, hiper, pós-modernidade, fragmentação e deslocamento de identidades. Culturas híbridas, cibercultura, mercados massificados, mercados segmentados.

Esse é o mundo contemporâneo. Esse é o mundo que é construído pelo homem através de imagens fabricadas, de representações, e mais: são as imagens que fazem a mediação do homem com o mundo.

            A própria subjetividade humana é construída através de imagens: o sujeito só se constituí como tal a partir de sua relação com a imagem do Outro. Descartes dizia que “penso, logo existo”, isto é, a afirmação da existência humana se daria através de um raciocínio lógico, metódico e individual; acreditamos que seria melhor dizer que “eu sou porque não me vejo no Outro”.

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Continuamos o texto falando sobre narcisismo e a imagem na web. Quem quiser ler na íntegra, clique aqui.

 Augusto Salla e Camila Marin

Uma resposta para “Web, Imagem e Narcisismo”

  1. Cândida de Oliveira Disse:

    Muito bom o texto de vocês Augusto e Camila.

    Penso o seguinte a respeito deste tema e daquilo que vocês abordam:

    As sociedades contemporâneas têm sido afetadas por ondas constantes de avanços tecnológicos ligados a todas as esferas. E o uso de plataformas virtuais como blogs, fotologs, orkut, enfim, se constituem alguns destes avanços. Embora tenham seus aspectos negativos, não há dúvidas de que são formas de interação social que fazem parte de uma nova cultura que nós também já nos apropriamos: a ciber-cultura.

    Concordo que muitas vezes o uso da rede nessas plataformas se limita ao atendimento do desejo de se tornar visível, tanto que devido a quantidade de acessos no orkut, por exemplo, pode ser considerado uma epidemia social, principalmente no Brasil. Isso demonstra que a sociedade vive essa relação narcísea, de se auto-afirmar, de se mostrar, de ser visto, de capturar o olhar do outro. Demonstra uma sociedade em crise e sem referências, onde a referência na verdade, é extremamente limitada, pois passa a ser o próprio indivíduo, aquilo que ele vive aquilo que ele sente e aquilo que ele é. Poderíamos inclusive dizer, que usando para isso, ele demonstra muito mais de seu lado animal/brutal, do que o lado humanístico/racional. Digo isto considerando que muitos flogs/fotologs têm vinculação de imagens pornográficas, ou de violência, por exemplo.

    Por outro lado, considerando a utilização dessas plataformas e sua função de sociabilidade, é mister refletir sobre o impacto dessas tecnologias de modo mais abrangente, ou seja, o impacto na sociedade. Sabemos que nem todo conteúdo se restringe ao que foi dito anteriormente. E por isso, penso que precisamos questionar verificar e analisar individualmente cada interação. Até que ponto é valido manter-se vinculado a estas plataformas para a construção de novos valores, novas idéias, enfim, novas concepções de vida? Ou para manter as existentes? Uma reflexão, sem dúvida, particular e individual, mas que deve ser abordada por nós, no sentido de instigar as pessoas quanto ao uso da web. Afinal, não podemos determinar o fim do mau uso, mas podemos estimular as pessoas a utilizar a rede para fins de maior importância do que a proeminência do indivíduo em si.

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