Esse é o título de uma matéria que li na revista Sociologia – Ciência e Vida da editora Escala, ano I nº 9 e resolvi socializar alguns trechos, para refletirmos tanto sobre a questão do futuro das relações sociais, como alguns aspectos positivos do programa.
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O Second Life, que atrai milhões de pessoas e corporações, nada mais é do que um programa que simula a comunidade em três dimensões no ciberespaço.
A saudação: “Imagine um mundo em que você pode ser o que quiser fazer o que desejar e transformar-se naquilo que sempre sonhou.” O número aproximado de usuários já soma mais de 6 milhões em todo o planeta. Brasileiros? 300 mil usuários – esta atrás apenas dos Estados Unidos, França e Alemanha. E ainda, o objetivo é que até o final do ano, que 2 milhões de brasileiros ingressem nesse novo mundo.
Para facilitar a adesão ao programa, uma estratégia importante: não é preciso pagar. Basta preencher um cadastro, baixá-lo da internet e criar seu “avatar”. Mas o que é um avatar? É um personagem virtual, que representará o participante no ciberespaço e permitirá a sua interação com os demais residentes – como são chamados os que já se encontram nesse mundo virtual. O usuário tem completa liberdade para escolher as características de seu avatar: cor dos olhos, da pele, dos cabelos, formato de boca, nariz, etc. Tudo depende da imaginação, o que remete a um outro slogan do mundo virtual: “Sua vida, sua imaginação”.
Ao explorar este novo universo, o participante poderá interagir com pessoas, em um vasto território, composto por ilhas, casas, carros, entretenimento e empresas. Vários avatares circulam por este novo espaço, onde se pode fazer de tudo: namorar, passear, conversar e até fazer sexo. Para se ter uma idéia o 1º bebê brasileiro do Second Life, nasceu em 13 de janeiro de 2007.
Segundo Jonatas Dornelles, os universos cibernéticos não constituem, a priori, uma 2ª vida totalmente diferente da tradicional, mas em vez disso, uma continuidade da vida real do indivíduo, uma sobreposição em 2 dimensões, da experiência humana. Existe um estreitamento das dimensões on-off-line, ou seja, entre real e virtual, destaca o autor. Ele quer dizer que existe uma seqüência da vida real cotidiana no mundo virtual. Tudo aquilo que se refere aos seres humanos no mundo real, será visto neste novo espaço.
Na visão defendida por Dornelles, mais do que uma segunda vida, o surgimento de mundos virtuais merece ser interpretado como uma extensão dos limites do sujeito. E aqui destaco pontos positivos deste programa. Ele explica que “com a tecnologia do ciberespaço, as variáveis de tempo e de espaço recebem novos significados. Distâncias antes instransponíveis agora são atingidas com o auxílio da comunicação, em tempos ‘imediatos’, antes jamais pensados. Como resultado, as pessoas conseguem superar distâncias anteriormente não conseguidas. Distâncias que podem ser entendidas como limites físicos, mas também culturais, no que se refere a interação entre indivíduos, que sem a tecnologia, nunca entrariam em contato e formariam uma rede social.”
Dessa forma, concordo e destaco a opinião dos especialistas que afirmam que analisar as perdas e ganhos deste tipo de sociabilidade virtual depende da experiência real de cada indivíduo. A tela do computador pode facilitar a interação social e, na verdade, o que caracteriza a sociabilidade, que é o conteúdo de cada mensagem, não vai mudar totalmente. As manifestações individuais poderão ser potencializadas pelo anonimato, mas de outra forma, provavelmente, não seriam produzidas. De qualquer forma, é o sujeito, individualmente que definirá o propósito de suas intervenções.
Cândida de Oliveira