Ainda sobre compartilhamento e pirataria

Tá bem engraçado todo mundo desesperado postando hoje… E aqui vou eu, mais uma desesperada!

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A gente discutiu, tanto no blog como em aula, a questão da pirataria e do compartilhamento, em textos como o Cultura Livre, por exemplo. Bem, na Rolling Stone Brasil de setembro tem duas matérias bem interessantes sobre a crise nas vendas no Brasil e nos Estados Unidos, respectivamente, devido aos downloads ilegais.

A matéria sobre o Brasil cita pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Produtores de Discos, que aponta para o fato de que, de 36, 5 milhões de entrevistados (em regiões metropolitanas), apenas 8,2% baixaram músicas em 2005. Tudo bem que dois anos é bastante tempo, e o número de dowloads deve ter aumentado, mas especialistas afirmam na matéria que o maior problema no Brasil é mesmo a pirataria (CDs) e não os downloads. (chega a 40%)
Nos EUA é um pouco diferente. E lá as vendas caíram de maneira mais brusca que no Brasil. (O álbum mais vendido em 2006 – Trilha do High School Musical – vendeu menos cópias que o décimo mais vendido de 2000).

Mas o mais interessante disso tudo é que o presidente da empresa de gestão de negócios Firm, Jeff Kwatinetz, culpa as próprias gravadoras, e não os usuários. Como vimos em alguns textos por aí, o Napster foi o primeiro serviço de compartilhamento, criado há mais de sete anos atrás. Segundo Kwatinetz, as gravadoras gastaram bilhões pra processar o Napster, e acabaram por dar um tiro no pé.

Vou reproduzir na íntegra o trecho da revista a partir daí:

“‘O setor teve uma chance incrível ali. Era como se todo o mundo estivesse ouvindo uma rádio só. Daí, o Napster fechou, e aqueles 40 milhões de pessoas foram para outros sites de compartilhamento.’

Poderia ter sido diferente. Há sete anos, os chefões da indústria se encontraram em reuniões secretas com o presidente do Napster, Hank Barry. Em 15 de julho de 2000, o presidente da controladora da Universal , Edgar Bronfman Jr., o cabeça da Sony Corp., Nobuyuki Idei, e o chefe da Bertelsmann, Thomas Middelhof, encontraram-se com Barry, e disseram que queriam estabelecer acordos. A idéia era que os 38 milhões de usuários do Napster continuassem a baixar arquivos pagando uma assinatura mensal – cerca da U$$ 10 – com a receita a ser dividida entre as gravadoras. Mas, apesar de uma oferta pública de U$$ 1 bilhões pelo Napster, as empresas nunca chegaram a um acordo. Pior, as gravadoras esperaram quase dois anos depois do fim do Napster, em 2 de julho de 2001, para licenciar uma alternativa lícita aos seriços de compartilhamento que satisfizesse os consumidores: a loja virtual iTunes, da Apple, inaugurada em 2003. A opinião geral é de que o período entre 2001 e 2003 foi desastroso para o setor: ‘Ali perdemos os usuários’, lamenta Rosen. ‘Foi quando vimos a música deixar de ter um valor material assimilado e se tornar algo sem valor econômico, apenas sentimental.’”

Bem, acho que é uma contribuição importante… Ou seja: não adianta a gente ficar discutindo aqui se é ruim ou não a gente baixar arquivos. É ruim as gravadoras pensarem unicamente em seus faturamentos. O povo vai criando alternativas para ter acesso a cultura produzida em terras verde-amarelas, mas também em outros cantos do mundo.

Na minha opinião, o problema torna-se de fato um problema, quando a pirataria serve para financiar o tráfico de drogas, a violência e tudo mais que vem agregado a isso.

E aí, o que acham? (sei que é o último dia pra postar pra avaliação.. mas como muitas pessoas se manifestaram a favor de continuar o blog, deixo a pergunta!)

Lara Nasi

5 Respostas para “Ainda sobre compartilhamento e pirataria”

  1. juliana Disse:

    Lara, eu acho que esse problema da pirataria vai levar séculos para terminar…
    E a gente vai ficar a mercê disso por mais alguns anos,
    bem que eu gostaria que meus netos me contassem,
    qual foi a solução para o problema
    bom acho que até lá nem vai mais existir gravadoras!
    mas voltando ao nosso presente
    eu acho que as gravadoras
    são aquele mínimo da
    sociedade que ganha dinheiro
    e pior como vc falou
    incentivam a pirataria e provocam outros problemas
    sociais…

  2. Guto Disse:

    Sabe, eu não sinto que fazer download de músicas/filmes/livros/etc etc… seja pirataria.
    Eu não estou baixando pra vender para outras pessoas, estou baixando para mim. Eu penso que pirataria =/= de download “ilegal” de músicas/etc…
    E download de mp3 não financia tráfico…Acho que não foi isso que tu quis dizer, mas enfim..
    Ah, finalmente uma análise vinda da indústria que pára de culpar os usuários ¬¬”
    Quantos aos dados ali de que apenas 8,5% baixaram músicas nas regiões metropolitanas…tem que ver a porcentagem de pessoas que tem acesso ao pc e a internet, porque talvez, talvez, esses 8,5% representem sei lá, 90% de quem tem acesso a web…
    E falando em web,. 2 anos é uma eternidade…

    Bem, a banda Radiohead, pelo que lembro, veio com uma proposta bem legal pra vender seu novo disco. Eles colocaram pra download todas músicas do álbum de graça, e tu paga quanto quiser, se quiser. Muito legal, e como um membro da banda disse coloca o usuário diante de uma questão interessante: quanto vale a música?

  3. Lara Disse:

    Claro Guto, não quis dizer que fazer downloads financia tráfico… Mas se fala o tempo inteiro que esse povo que faz milhões de de CDs piratas pra vender tá financiando o tráfico e a violência… Vai saber… Mas se isso acontece, acho que é mesmo um problema!

    E concordando com você, também não acho pirataria tenha a ver com fazer downloads… por isso coloquei como título desse post “ainda sobre COMPARTILHAMENTO e pirataria”. Acho que trata-se disso mesmo: compartilhar! Mas claro, as gravadoras discordam profundamente, e sempre vão tentar criminalizar ações que reduzam seu lucro.

    P.S. Muito legal o lance do Radiohead. Lembro que a Mireli comentou até que ia postar isso no blog, mas não lembro de ter lido aqui.. e levanta um debate interessante, evidentemente. Na matéria, diz-se que depois do fim do Napster, com as redes P2P é que a música deixou de ter um valor material, para ter apenas um valor sentimental. Será? Quanto você pagaria pelas músicas do Radiohead se pudesse tê-las de graça?!

  4. Suazilene Fernandes Disse:

    A meu ver a única solução para combater a pirataria no caso dos CD`s de música é baixar o preço. Pois acho um absurdo um CD custar 30 reais. Enquanto perdura a ganância da indústria musical sempre haverá pirataria.
    Além do mais há a necessidade de esclarecer uma diferença fundamental entre Download que é um compartilhamento e Piratataria que é, de certa forma quando alguém faz uso indevido dum produto intelectual de outrem sem uma prévia permissão do mesmo.

  5. Caroline Disse:

    Combater a pirataria na etapa em que se encontra, acredito que seja impossível. Eu ainda fico com a idéia do comentário do filme “tropa de elite”, acredito que defender a pirataria representa egoísmo, nesse caso o autor da obra acaba sendo prejudicado pelas regras existentes na indústria fonográfica e cinematográfica em geral.
    Caso o acesso legal a obra fosse tão acessível quanto a pirataria os autores poderiam lucrar ao invés de ter prejuízo..

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