INTIMIDADE, CÂMERA, AÇÃO!

Sílvia Volkweis – Olá pessoal!!!! Esta matéria que estou postando saiu na revista Veja de 29 de agosto de 2007  e fala sobre pessoas que passam coom camêras ligadas, 24 horas por dia, conectadas à Internet. Ou seja, mostram sua intimidade para todo mundo, literlamente. Gostaria de saber a opinião de vocês sobre o assunto. Então, aí vai a matéria da jornalista Silvia Rogar; o link, para quem quiser ver as fotos que saíram na matéria é http://veja.abril.com.br/290807/p_100.shtml

Lançado em 1998, o filme O Show de Truman contava a história de um jovem que, desde o nascimento, tem seus passos monitorados por câmeras, manipulados por um diretor e exibidos na televisão mundo afora – sem o seu conhecimento, claro. Quando descobre ser ele próprio um seriado ambulante, Truman Burbank, interpretado por Jim Carrey, faz de tudo para se libertar do foco das lentes. Na vida real, tem acontecido o oposto. A nova mania entre alguns internautas de carteirinha é revelar a intimidade ao vivo na rede. Depois dos blogs, dos fotologs, dos sites de relacionamento e do YouTube, o exibicionismo virtual entra na era do chamado lifecasting – em tradução livre do inglês, algo como transmissão da vida. Já é possível encontrar uma penca de desinibidos que andam para cima e para baixo com uma câmera permanentemente ligada. E vale de tudo para tornar sua programação mais atraente: conversar com estranhos na rua, fazer compras ou, o que é mais comum, simplesmente se exibir.

Ser o assunto principal de um show on-line e ao vivo não requer muito dinheiro ou equipamentos sofisticados. A produção é praticamente caseira: basta ter laptop, webcam (pequena câmera para internet), conexão de internet wireless (sem fio) e, para não interromper a transmissão, um bom arsenal de baterias para o computador. Do outro lado da tela, a graça de assistir a um programa do gênero é ultrapassar o voyeurismo. Os sites permitem que o público interaja com seus protagonistas, através de mensagens e bate-papos. O mais célebre entre os protagonistas desse tipo de “programa” é Justin Kan, americano de 23 anos, formado em física pela conceituada Universidade Yale. Faça chuva ou faça sol, ele passa seus dias com uma câmera acoplada ao boné e interligada a um laptop levíssimo, que carrega na mochila. Desde março passado, as imagens do seu cotidiano são transmitidas em tempo real na Justin.TV (www.justin.tv), site criado por Kan e outros três amigos, justamente com o objetivo de mostrar o “show da vida” do fundador e de outros exibicionistas.

A maioria dos que se candidatam a astros na rede gosta de estar na frente das câmeras. Kan é exceção. Passa a maior parte do tempo mostrando o mundo sob sua perspectiva. Não se deve imaginar nada muito filosófico. Como sua agenda social está bem longe de ter a agitação da rotina de uma Paris Hilton, Kan faz de tudo para ter momentos mais interessantes – e, claro, chamar atenção. Ele já se jogou de roupa numa piscina, fez aula de trapézio e está agora em busca de uma namorada. Encontrar alguém que se disponha a andar com um sujeito que carrega uma câmera no boné, 24 horas por dia, não é tarefa das mais fáceis. Mas Kan não desanima. “Enquanto me divertir, passarei meus dias assim. Só não levo a câmera quando entro em banheiros públicos. Também tiro o som para discutir estratégias de negócios em reuniões”, disse a VEJA na semana passada – tudo devidamente gravado por ele, claro.

Sim, negócios. A nova obsessão dos aventureiros pontocom é criar o site campeão de transmissões ao vivo, uma espécie de YouTube da categoria. “A nossa idéia é permitir que todo internauta tenha seu canal de TV para se divertir”, disse a VEJA John Ham, 29 anos, fundador do Ustream (www.ustream.tv), um dos principais sites dedicados ao filão. A idéia tem potencial, mas esbarra na dificuldade de que nem todo mundo é suficientemente interessante para virar atração. A designer Justine Ezarik é uma das poucas que ultrapassam com sobras essa barreira. Alçada a celebridade da internet, seu sucesso deve-se à combinação perfeita de dotes: loura, com estampa que lembra a da atriz Cameron Diaz, ela domina o mundo virtual com a habilidade de um nerd. Para encontrar gente interessante capaz de preencher sua programação, o Ustream realizou um concurso em que elegeu dez pessoas para estrelar programas ao vivo e ofereceu um cachê aos ganhadores. Uma das escolhidas foi Jody Gnant, aspirante a cantora que diz ter mais medo da obscuridade que da falta de privacidade. Assim como usuários de fotologs e sites de relacionamento, ela vê a experiência como mais uma forma de aumentar o círculo de amizades. “No início, queria apenas promover o meu CD, mas me viciei nos bate-papos com o público”, conta.

Não é de hoje que a curiosidade sobre a vida alheia mostra seu potencial de virar febre na internet. Em 1996, a estudante americana Jennifer Ringley passou a transmitir continuamente imagens de seu dormitório universitário. Dois anos depois, 3 milhões de pessoas checavam a intimidade da moça em seu site. Eram imagens estáticas e em preto-e-branco com tudo o que se deveria fazer entre quatro paredes, incluindo sexo e trocas de roupa. Tudo foi documentado até 2003, quando ela cansou da falta de privacidade e se desconectou. Esse, aliás, um recurso indispensável. Na hora de ir ao banheiro, Justin Kan mira a câmera para o teto.

6 Respostas para “INTIMIDADE, CÂMERA, AÇÃO!”

  1. Juliana Disse:

    o Show de Truman é uma produção incrível mesmo, vale a pena assistir, na matéria de Ética da Comunicação, no 1º sem/2006, ministrada pelo professor Valdir Kin, ele apresentou este filme pra nós e que rendeu uma boa discussão conduzida pelas teorias éticas. Na verdade o que estes usuários estão fazendo com sua intimidade, na minha opinião fere a identidade e a imagem de qualquer pessoa, no entanto, o livre acesso e os recursos tecnológicos possibilitam a prática deste tipo de ação por qualquer usuário. Mas me dou conta agora que posso estar sendo contraditória… eu stou na rede através do orkut, o que pode ser a mesma coisa, no entanto com diferentes proporções …

  2. Cheila Araujo Disse:

    Como existe aquele velho ditado popular….”cada louco com suas manias”…..
    De fato não podemos impedir que as pessoas façam aquilo que as satisfaçam…mas vale, de fato, apenas refletir se tais situações são cabíveis ou não. Se propor a tal exibicionismo nao deve ser normal…ultrapassa os limites, na minha opinião.
    A vontade que algumas pessoas têm de ser o centro das atenções está cada vez maior e não existem explicações claras sobre isso. A maioria das pessoas querem ser vangloriadas de alguma forma e uma das saídas seria esta…de ficar se filmando 24hrs por dia para conseguir chamar a atençao de alguns espalhados pelo mundo que procuram tal sensacionalismo.
    Realmente eu não sei mais qual seria a solução para tais casos…pois a lei é clara sobre a livre expressão….
    Realmente não sei onde tudo isso vai parar….
    A liberdade é tanta….as tecnologias são tão precisas e o poder que se tem quando há a posse dos meios é tamanha, que a sociedade se ve cada vez mais confusa e sem controle…

  3. Alex Duarte Disse:

    São reality shows, programas de exibição de fotos, vida alheia, web cam, tanta coisa ligada a imagem. Parece que todo mundo resolveu virar celebridade hoje em dia. Vontade? Necessidade? Prazer? O que?
    O engraçado é que tudo isso, quase sempre, acaba prejudicando as pessoas. Saiu no Google Blogscoped uma campanha feita pelo serviço público americano falando dos riscos de colocar algo na internet e tornar-se notícia em todo mundo. Lembra da Cicarelli ou de tantos outros casos aqui no RS, perto de Ijuí, em Santo Ângelo por exemplo. A moça que … bom vamos parar por aqui..

    Atualmente as coisas estão muito acessíveis. Quando o presidente americano Albran Lincon morreu assassinado em 1865, a informação demorou 13 dias pra ir dos Estados Unidos até a Europa. Hoje, a transmissão é muito veloz, e qualquer coisa na rede, pode ser acessada logo após de postada, anexada, etc.
    Isso tudo veio para facilitar, mas se bem usada(este é o grande problema).

    A questão de estar em evidência e exposto a tudo e á todos é algo que foi construído pela própria mídia, em um processo contínuo. Válido ou inválido? Cada um decide, aliás, cada um é dono de sua vida e sabe o que faz.

  4. Disciplina de Seminário Unijui Disse:

    Cada um mostra o que quer, as tecnologias dão essa liberdade.
    Será que cada um sabe o seu limite? Sei lá acho que não existe mais limite. Tomara que a galera tenha noção do que significa se expôr pra não chora depois.
    As tecnologias estão aí pra serem usadas, se bem que o que rola rola da rede na grande maioria é só bobagem.
    Vamos ter que nos adaptar a essas bobagens? Vida virtual? Tem cada coisa.

    Márcio Cossetin

  5. Deise de Morais Disse:

    Acho que as tecnologias foram criadas com a “ambição” de facilitar a vida das pessoas de uma forma geral… e é indiscutivel o fato de que é isso mesmo que acontece… porém, como existe aquela “coisinha” chamada livre arbitrio, as pessoas utilizam as tecnologias como bem entenderem…
    Adorei a reportagem da Veja, muito legal mesmo…
    Alem de que, a questão de como a internet está sendo usado pelos “cidadãos” é um assunto que ainda vai render muito “pano p/ manga”… a discussão está apenas começando, e ainda bem, que muitas pessoas já estão se preocupando com a proporção que isto poderá “tomar” se o senso comum não for usado em certas ocasiões….

  6. Sílvia Volkweis Disse:

    Bom gente… valeu por comentarem no tópico… Vim dar minha opinião também. Acho essa história de querer aparecer ao extremo na internet, como é o caso da reportagem, é coisa de quem tem uns parafusos a menos. A câmera fica ligada 24 horas por dia, eles só a tiram para ir ao banheiro… e não vejo oq o público possa ganhar assistindo a isso. Acho perda de tempo de quem promove esse tipo de coisa e também de quem assiste.

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