Olá pessoal, dando uma olhada sobre os temas das discussões em aula, encontrei algo sobre o jornalismo colaborativo na net, prós e contras, acho que é interessante…
Acaba de ser publicado na rede um dos primeiros estudos analíticos sobre a utilização do sistema wiki (autoria coletiva) na produção de material jornalístico. O trabalho foi feito pelo professor Paul Bradshaw, da Universidade de Birmingham, e apresentado esta semana na conferência O Futuro dos Jornais, em Cardiff, Escócia.
O modelo wiki está sendo apresentado por alguns especialistas como o weblog do futuro, onde profissionais e amadores poderão escrever juntos um mesmo texto ou reportagem. Mas, por enquanto, a grande amostra do sistema é a enciclopédia virtual Wikipédia.
Caso o wiki conquiste adeptos entre os jornalistas e blogueiros, abre-se a possibilidade de mais uma grande mexida no conjunto de rotinas e valores da grande imprensa provocada pelas novas tecnologias surgidas na esteira do crescimento da internet.
O programa permite que um número, virtualmente infinito de pessoas, possa participar da produção de notícias, alterando o material publicado por meio de acréscimos, correções, eliminação e novos textos. É o que se convencionou chamar de autoria coletiva ou compartilhada. Ninguém é dono do produto final.
O wiki ainda enfrenta uma resistência fortíssima dos mais céticos e dos que consideram uma utopia pensar que indivíduos separados por milhares de quilômetros e pertencentes a culturas e biografias muito diferentes possam trabalhar coletivamente.
Apesar das desconfianças, o sistema já está sendo usado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, pela NASA e por empresas como a DreamWorks, uma das mais badaladas produtoras cinematográficas de Hollywood, conforme garante o professor Cass Sunstein, autor do livro Infotopia (Oxford Press 2006).
A maior vantagem do wiki reside no fato de que ele pode englobar muitas pessoas em trabalhos altamente complexos. Nisto ele é imbatível e de certa maneira segue o mesmo princípio da computação em grade, onde pesquisas como a sobre vida extraterrestre chegam a utilizar até 5,5 milhões de computadores de usuários comuns em todo o mundo.
O professor Bradshaw identificou cinco atividades jornalísticas onde é possível usar o sistema wiki para produzir grandes reportagens investigativas: a) Leitores podem editar um texto produzido numa redação jornalística de profissionais;b) Edição conjunta de um material oferecido por diversas fontes;c) Leitores agregam informações a uma reportagem produzida por um repórter profissional, sem alterar o conteúdo original;d) Leitores e jornalistas profissionais publicam e editam material sem ordem e nem agenda pré-estabelecida;e) Produção coletiva de reportagens por jornalistas pertencentes a uma mesma empresa ou redação.
A cobertura de grandes eventos como protestos de rua, desastres naturais de grandes proporções, conflitos militares, bem como guias de restaurantes, museus e lojas, por exemplo, podem ser produzidos em curto espaço de tempo e com razoável exatidão, por meio de um processo wiki, onde haja colaboração e participação tanto de profissionais como de pessoas sem treinamento jornalístico.
Mas o sistema tem riscos que não podem ser minimizados e muito menos ignorados. O principal deles é o vandalismo informativo. Outros perigos são a falta de exatidão e dúvidas sobre a credibilidade de notícias.
Até agora não foi descoberto nenhum antídoto 100% eficaz contra o vandalismo, ou seja a adulteração proposital dos conteúdos publicados visando desmoralizar seus autores. Nos sites mais conhecidos, como a Wikipédia, o elevado número de visitantes (em média 1,5 milhão por dia) permite detectar rapidamente tanto os terroristas online como também os erros, mas nos demais, os riscos são bem maiores.
Mas há outra questão complicada: as redações jornalísticas estão acostumadas a trabalhar com prazos e horários, enquanto o wiki é essencialmente um processo contínuo. A cultura do jornal impresso está condicionada pelos prazos de fechamento enquanto a do wiki baseia-se na mudança permanente dos textos.
A revista Wired e o Los Angeles Times testaram o uso da autoria coletiva para produzir textos jornalísticos e chegaram a resultados controvertidos. A experiência do jornal foi um fracasso devido a ação dos vândalos online, enquanto a texto da revista conseguiu alguns elogios mas ficou aquém das expectativas dos editores.
Mais êxito tiveram os estudantes de jornalismo da Universidade de Nova Iorque que usaram o wiki como plataforma básica do seu projeto NewsAssignment, uma tentativa de produzir reportagens usando a autoria coletiva, durante 10 meses. Depois da publicação de sete textos, a revista Wired chegou à conclusão de que o aprendizado foi o resultado mais rico da experiência, cujos resultados jornalísticos foram considerados bons pelos padrões convencionais de reportagem.
O professor Bradshaw reconhece que o sistema wiki no jornalismo ainda precisa ser mais testado, mas admite que ele será uma alternativa para projetos investigativos mais ambiciosos, principalmente em jornais e revistas.
Vamos ver o q acontece por aqui… abraços da Neila
Setembro 13, 2007 às 9:43 pm
Sô eu… encontrei isso no site do observatório da imprensa, tm mta coisa legal..
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/blogs.asp?id_blog=2
Entrem lá tbm… abraçoooossss
Setembro 14, 2007 às 3:21 am
Muito interessante! NA saída da aula ontem a Nilse comentava que você tinha postado sobre isso e a gente ficou divagando um pouco no assunto. Fiquei pensando na nossa resistência, de ver um texto “seu” editado por outro, fugindo do controle. Mas também dá pra pensar no quão rico pode ser um processo desses. A Vera lembrou bem do exemplo do radioteatro produzido em redação III, que tem seu roteiro construído por todos os alunos.. e aí, bem imaginem, é praticamente um processo wiki de produção, não fosse o fato de acontecer de maneira real e presencial.
Pensei em várias coisas lendo isso, mas a mais legal foi uma coisa propositiva: e se a gente fizesse uma experiência dessas também??? Acho que seria no mínimo, muito interessante!!!
P.S. Nota reflexiva: lendo o comentário da Neila eu lembrei que há nem tanto tempo atrás eu acessava diariamente o observatório de imprensa. Bastou ficar um período sem internet, ou qualquer coisa do gênero, e esqueci o tal do site. Agora, lendo o comentário, lembrei disso, e obviamente, associei com a questão do rizoma e dos caminhos que a gente faz pela rede… Mas isso foi só um devaneio de auto-promoção do tema do nosso seminário! hahahaha
Setembro 14, 2007 às 3:23 am
Corrigindo:
radioteatro produzido em RADIOJORNALISMO III!
Setembro 18, 2007 às 12:53 pm
gostei da idéia Larrá! e lendo isso lembro do exemplo descrito no texto do nosso grupo de trabalho (Júlia, Vanessa e Eu), do jornal wiki da cidade americana akela (q nesse momento não lembro o nome – huahuahau) mas q toda a comunidade posta notícia em um blog durante uma semana inteira, e por fim, um moderador avalia as notícias por sua importância e pelo interesse que elas despertam nos leitores do blog, e estas são destinadas a uma versão impressa deste jornal. O jornal é distribuído gratuitamente à comunidade.
Assim, me vem a kbça o fato de que no semestre inverso ao de redação jornalística II “O Barata” tem algumas dificuldades de circular por falta de matérias. Que tal um blog da comunicação onde serão postadas notícias, matérias, reportagens, etc. sobre a comunicação e a universidade (e infinitos temas), e que um moderador selecione estas por sua valia e interesse do público leitor para que seja veiculada em edições de O Barata!?
Setembro 19, 2007 às 2:58 am
Acho muito legal a idéia do Marcelo! Mas proponho ainda que seja numa idéia de wiki jornalismo, que é a idéia do texto que a Neila postou… Matérias editadas re-editadas por todo mundo! Acho que nossas matérias poderiam ficar muito mais ricas, e aí, claro, não seriam assinadas individualmente. Ia ser o máximo se isso desse certo. Por que não propormos ao Márcio Granez??
Setembro 27, 2007 às 8:31 pm
Pois é…relendo o texto também tive vontad d conversar com
Mr.Granez hehehe O Entrelinhas também seria um lugar bastant interessant
para praticarmos um Wiki-journalism…eu particularment a-do-ra-ria!!!
Agora com as reflexões do Fripp e do Guto, penso q…peraí: Quem disse pela primeira vez “o bom e velho jornalismo”???
penso q essa frase é uma negação ao q vm surgindo. O computador não melhorou a vida dos jornalistas de impressos?? é o novo jornalismo e não deixou de ser BOM. Existe o outro lado da técnica, só ela sabemos q não basta, é preciso jogo de cintura com o mundo…
O wiki é um novo modelo, e não quer dizer que o jornalista akele das reportagens individuais vai perder espaço, pode com isso agregar experiências com outrãs pessoas (profissionais oou não!!)…
vamos amadurecer a idéiaaaaa!!! abraçooooosss