Palestra Gustavo Fischer – Comunicação e Tecnologia – 20/nov, 19h30, Salão de Atos Unijuí

novembro 20, 2007

Gustavo Fischer é coordenador do curso de Comunicação Digital da UNISINOS desde sua criação em 2004. Atua na universidade também como professor do curso de Publicidade e Propaganda e na equipe da Escola de Design da Unisinos em projetos especiais. É publicitário formado pela UFRGS com passagem por agências de publicidade como redator e Mestre em Comunicação pela Unisinos, onde também desenvolve seu Doutorado com pesquisa em mídias digitais. Foi jurado do Festival Internacional de Publicidade de Gramado em 2007 na categoria internet e da categoria Conteúdo nas três edições do Prêmio de Internet Corporativa da AGADi – Associação Gaúcha de Agências Digitais.É autor do livro de contos “No auto-exílio do meu headphone” publicado em 2003, mantém o blog Soundtracks ( colunasoundtracks.blogspot.com) além de fazer parte do projeto Hiper ( comunicacaodigital.unisinos.br/hiper )

A palestra é a última atividade dos Dias Acadêmicos de Comunicação de 2007. Como vcs podem conferir o currículo do palestrante é mto legal e bem na área do tema de discussão.

Espero todos hj noite conferindo a fala do Gustavo. abs, Nilse


Ainda sobre compartilhamento e pirataria

outubro 15, 2007

Tá bem engraçado todo mundo desesperado postando hoje… E aqui vou eu, mais uma desesperada!

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A gente discutiu, tanto no blog como em aula, a questão da pirataria e do compartilhamento, em textos como o Cultura Livre, por exemplo. Bem, na Rolling Stone Brasil de setembro tem duas matérias bem interessantes sobre a crise nas vendas no Brasil e nos Estados Unidos, respectivamente, devido aos downloads ilegais.

A matéria sobre o Brasil cita pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Produtores de Discos, que aponta para o fato de que, de 36, 5 milhões de entrevistados (em regiões metropolitanas), apenas 8,2% baixaram músicas em 2005. Tudo bem que dois anos é bastante tempo, e o número de dowloads deve ter aumentado, mas especialistas afirmam na matéria que o maior problema no Brasil é mesmo a pirataria (CDs) e não os downloads. (chega a 40%)
Nos EUA é um pouco diferente. E lá as vendas caíram de maneira mais brusca que no Brasil. (O álbum mais vendido em 2006 – Trilha do High School Musical – vendeu menos cópias que o décimo mais vendido de 2000).

Mas o mais interessante disso tudo é que o presidente da empresa de gestão de negócios Firm, Jeff Kwatinetz, culpa as próprias gravadoras, e não os usuários. Como vimos em alguns textos por aí, o Napster foi o primeiro serviço de compartilhamento, criado há mais de sete anos atrás. Segundo Kwatinetz, as gravadoras gastaram bilhões pra processar o Napster, e acabaram por dar um tiro no pé.

Vou reproduzir na íntegra o trecho da revista a partir daí:

“‘O setor teve uma chance incrível ali. Era como se todo o mundo estivesse ouvindo uma rádio só. Daí, o Napster fechou, e aqueles 40 milhões de pessoas foram para outros sites de compartilhamento.’

Poderia ter sido diferente. Há sete anos, os chefões da indústria se encontraram em reuniões secretas com o presidente do Napster, Hank Barry. Em 15 de julho de 2000, o presidente da controladora da Universal , Edgar Bronfman Jr., o cabeça da Sony Corp., Nobuyuki Idei, e o chefe da Bertelsmann, Thomas Middelhof, encontraram-se com Barry, e disseram que queriam estabelecer acordos. A idéia era que os 38 milhões de usuários do Napster continuassem a baixar arquivos pagando uma assinatura mensal – cerca da U$$ 10 – com a receita a ser dividida entre as gravadoras. Mas, apesar de uma oferta pública de U$$ 1 bilhões pelo Napster, as empresas nunca chegaram a um acordo. Pior, as gravadoras esperaram quase dois anos depois do fim do Napster, em 2 de julho de 2001, para licenciar uma alternativa lícita aos seriços de compartilhamento que satisfizesse os consumidores: a loja virtual iTunes, da Apple, inaugurada em 2003. A opinião geral é de que o período entre 2001 e 2003 foi desastroso para o setor: ‘Ali perdemos os usuários’, lamenta Rosen. ‘Foi quando vimos a música deixar de ter um valor material assimilado e se tornar algo sem valor econômico, apenas sentimental.’”

Bem, acho que é uma contribuição importante… Ou seja: não adianta a gente ficar discutindo aqui se é ruim ou não a gente baixar arquivos. É ruim as gravadoras pensarem unicamente em seus faturamentos. O povo vai criando alternativas para ter acesso a cultura produzida em terras verde-amarelas, mas também em outros cantos do mundo.

Na minha opinião, o problema torna-se de fato um problema, quando a pirataria serve para financiar o tráfico de drogas, a violência e tudo mais que vem agregado a isso.

E aí, o que acham? (sei que é o último dia pra postar pra avaliação.. mas como muitas pessoas se manifestaram a favor de continuar o blog, deixo a pergunta!)

Lara Nasi


O “tal”do Digital

outubro 15, 2007

Muitas pessoas ouvem os meios de comunicação discutirem sobre a digitalização, mas a grande maioria não se interessa em entender o que é, muitas vezes a “correria” do dia-a-dia faz com que não sobre nem tempo para pensar nesse assunto, será que o digital vai excluir de uma vez por todas o meio analógico do mercado?

Micael Herschmann destaca em seu Livro “O rádio sem ondas”, que apesar da fidelidade e a simpatia que o rádio analógico conquistou durante anos com o consumidor, ele mostra que o mesmo se encontra na iminência de se tornar um aparato obsoleto. Mesmo sabendo que nesse tempo de um pouco mais de oito décadas o rádio já passou pelos seus altos e baixos.

 

 

Ganhou espaço nobre nos lares entre os anos 30 e 50. Foi para as ruas, em versões portáteis e aliado a headphones, expulso de seu lugar privilegiado pela TV, entre o fim dos anos 50 e o começo dos anos 70. Voltou para as salas de estar em grande estilo – estéreo, via FM, com design arrojado e futurista -, na virada dos anos 70 para os 80. E, enfim nos anos 90, entrou em lenta agonia, perdendo terreno em meio a um emaranhado de mídias, todas convergindo para formatos digitais.

 

 

O rádio analógico vem lutando a mais de uma década em busca de uma salvação, que segundo Micael Herschmann é uma salvação que não irá encontrar. Mas, se o rádio está com os dias contados, poderíamos afirmar que a uma das armas do crime já foi apresentada em 1996 na Feira Industrial de Hannover, o DAB, o protótipo de radiodifusão digital demonstrou a troca das ondas eletromag.éticas pela transmissão de dados na forma de bits e bytes o que possibilita a FM ter uma qualidade sonora de CD.

Já a DRM desenvolveu sistema para viabilizar transmissões digitais em AM, fazendo com que alcance a qualidade de FM. O sistema norte-americano IBOC é o único que permite a transmissão simultânea nas mesmas freqüências usadas hoje para AM e FM, dados e voz são veiculados nos mesmos canais e faixas das estações analógicas.

O IBOC foi o sistema que mais chamou a atenção dos brasileiros, mas em 2006 os testes foram decepcionantes, as transmissões causavam timbres metálicos nas locuções, além de uma defasagem de 8 segundos, inviabilizando entrevistas e interação com o público ao vivo.”, além disso, esse sistema ocupa um espaço em ondas maior, que ocasionaria o desaparecimento de algumas emissoras de baixa potência (no caso das comunitárias, educativas e algumas religiosas).

Eu acho que já vi esse filme! Será que o rádio vai ter que passar por uma “segmentação” a cada nova tecnologia que surge, como aconteceu com o surgimento da Freqüência Modulada (FM)? Creio que os meios de fazer rádio, sejam eles analógicos, digitais. Web rádio, podcasting, terão sucesso se souberem estruturar sua programação com a forma de interação, as músicas e as informações de interesse do seu target, para isso serão necessário pesquisas e estudos para descobrir quem é este ouvinte e qual o seu perfil (hábitos, interesses, aptidões).

É claro que tanto radio como a TV dentro de mais alguns anos serão apenas algumas das opções nos aparelhos de celular ou na rede de computadores, mas serão inúmeras emissoras a disposição, mas cada indivíduo vai dar audiência à aquela programação que mais se identificar.

A implantação de novas tecnologias no meio radiofônico sempre favoreceu para a diminuição do numero de funcionários nas emissoras, nas primeiras décadas do rádio no Brasil mais precisamente em 1940 a Rádio Nacional, por exemplo, tinha em sua grade pouco mais de 600 funcionários, enquanto uma emissora de rádio digital poderá ser estruturada com até oito profissionais.

 

A web Radio possibilita que o receptor torne-se o emissor, a interação é mais precisa, é ágil e empolgante. O comunicador dá ao ouvinte a liberdade de ele escolher a próxima música a ser tocada, o assunto a ser discutido, e ainda discutir ao vivo esse assunto com o próprio ouvinte, fazendo com que os ouvintes acompanhem as opiniões de determinados assuntos tanto de ouvintes que estão no Rio Grande do Sul, como ouvintes da Bahia, possibilitando uma diversidade cultural expressada não somente através de músicas, mas do modo de pensar e refletir sobre temas debatidos. O sinal das web rádios vem pela conexão à internet (modem, rádio, cabo ou satélite).

Ouvir pelo computador, permite ao ouvinte ter mais opções de manipulação do que está ouvindo, pois pode gravar editar e modificar o que está sendo emitido. As emissoras via internet devem usar e abusar da criatividade, algumas já usam câmeras no estúdio, transmitindo som e imagem ao vivo.

Somos criativos, tentamos acompanhar o avanço tecnológico, interagir e usufruir dessas novas ferramentas, mas às vezes acho que estamos fazendo o mesmo que foi feito a décadas atrás, apenas aperfeiçoando a tecnologia que temos hoje. Afirmamos isso devido a uma experiência que um de nós está vivendo dentro de uma web radio. Quando fui convidado para entrar nessa “onda” de web radio vi a possibilidade de explorar ferramentas que as rádios locais no sistema analógico não estariam utilizando, uma delas são transmissões externas como forma de interagir com os ouvintes. Como nossa web radio não possui linhas telefônicas, link ou outro meio de transmissão geralmente usado pelas rádios convencionais, a saída foi configurar um computador móvel com internet sem fio (via celular) no qual conseguimos transmitir de qualquer parte do país para o mundo, com a mesma qualidade que temos no estúdio. Muito bom, estamos com equipamento para fazer programas ao vivo de casas noturnas, eventos, feiras, lojas; seria algo criativo inovador? Para muitos até parece ser, mas seria simplesmente um aperfeiçoamento dos programas de auditórios que eram feitos antes mesmo de existir televisão. Se os rádios tradicionais usavam bilhetes nos programas de auditório, cartas enviadas para a emissora, telefonemas ao vivo, mais recentemente torpedos para celular, hoje em dia na internet usamos praticamente as mesmas formas de interação, claro que mais rápidas devido a tecnologia, mas usamos MSN, e-mail, Skype, VoIP, chat, etc.

No Brasil as conseqüências que a internet provoca sobre outros meios ainda são menores devido ao baixo poder aquisitivo de algumas classes que impossibilita famílias carentes de terem acesso a essas redes de informação, mas em alguns países mais desenvolvidos a internet vem causando forte impacto, nos Estados Unidos entre 1975 a 1997 a audiência de grandes redes de TV caíram de 90% para 64% no horário nobre e a cada ano que passa, são milhares as pessoas que vem trocando as horas de lazer frente a televisão ou o rádio convencional, pelas horas diante de um computador ou aparelhos portáteis com acesso a internet.

Percebendo a importância da internet, algumas emissoras de rádio “analógico” estão fazendo o que chamamos de “rádio on line”, simplesmente disponibilizam o áudio por fluxo contínuo (streaming) na home page da própria, possibilitando que pessoas fora do alcance das ondas eletromagnéticas da emissora tenham acesso a programação através da internet.

Pesquisas mostram que o numero de aparelhos de radio nas casas vem caindo a cada ano que passa, enquanto os aparelhos de TV aumentam a cada ano, no mercado publicitário o rádio leva apenas 4% do total comercializado, enquanto na década de 70 chegou a ter 13% do valor comercializado no mercado publicitário, as agencias de publicidade não tem interesse em criar publicidades para radio, afinal os empresários donos de emissoras de radio não investem no marketing da sua própria emissora.

O “tal” do digital

- Gilmar Laurindo

- Jorge Antônio da Silva


Second Life: febre na rede

outubro 15, 2007

Esse é o título de uma matéria que li na revista Sociologia – Ciência e Vida da editora Escala, ano I nº 9 e resolvi socializar alguns trechos, para refletirmos tanto sobre a questão do futuro das relações sociais, como alguns aspectos positivos do programa.

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O Second Life, que atrai milhões de pessoas e corporações, nada mais é do que um programa que simula a comunidade em três dimensões no ciberespaço.

A saudação: “Imagine um mundo em que você pode ser o que quiser fazer o que desejar e transformar-se naquilo que sempre sonhou.” O número aproximado de usuários já soma mais de 6 milhões em todo o planeta. Brasileiros? 300 mil usuários – esta atrás apenas dos Estados Unidos, França e Alemanha. E ainda, o objetivo é que até o final do ano, que 2 milhões de brasileiros ingressem nesse novo mundo.

Para facilitar a adesão ao programa, uma estratégia importante: não é preciso pagar. Basta preencher um cadastro, baixá-lo da internet e criar seu “avatar”. Mas o que é um avatar? É um personagem virtual, que representará o participante no ciberespaço e permitirá a sua interação com os demais residentes – como são chamados os que já se encontram nesse mundo virtual. O usuário tem completa liberdade para escolher as características de seu avatar: cor dos olhos, da pele, dos cabelos, formato de boca, nariz, etc. Tudo depende da imaginação, o que remete a um outro slogan do mundo virtual: “Sua vida, sua imaginação”.

Ao explorar este novo universo, o participante poderá interagir com pessoas, em um vasto território, composto por ilhas, casas, carros, entretenimento e empresas. Vários avatares circulam por este novo espaço, onde se pode fazer de tudo: namorar, passear, conversar e até fazer sexo. Para se ter uma idéia o 1º bebê brasileiro do Second Life, nasceu em 13 de janeiro de 2007.

Segundo Jonatas Dornelles, os universos cibernéticos não constituem, a priori, uma 2ª vida totalmente diferente da tradicional, mas em vez disso, uma continuidade da vida real do indivíduo, uma sobreposição em 2 dimensões, da experiência humana. Existe um estreitamento das dimensões on-off-line, ou seja, entre real e virtual, destaca o autor. Ele quer dizer que existe uma seqüência da vida real cotidiana no mundo virtual. Tudo aquilo que se refere aos seres humanos no mundo real, será visto neste novo espaço.

Na visão defendida por Dornelles, mais do que uma segunda vida, o surgimento de mundos virtuais merece ser interpretado como uma extensão dos limites do sujeito. E aqui destaco pontos positivos deste programa. Ele explica que “com a tecnologia do ciberespaço, as variáveis de tempo e de espaço recebem novos significados. Distâncias antes instransponíveis agora são atingidas com o auxílio da comunicação, em tempos ‘imediatos’, antes jamais pensados. Como resultado, as pessoas conseguem superar distâncias anteriormente não conseguidas. Distâncias que podem ser entendidas como limites físicos, mas também culturais, no que se refere a interação entre indivíduos, que sem a tecnologia, nunca entrariam em contato e formariam uma rede social.”

Dessa forma, concordo e destaco a opinião dos especialistas que afirmam que analisar as perdas e ganhos deste tipo de sociabilidade virtual depende da experiência real de cada indivíduo. A tela do computador pode facilitar a interação social e, na verdade, o que caracteriza a sociabilidade, que é o conteúdo de cada mensagem, não vai mudar totalmente. As manifestações individuais poderão ser potencializadas pelo anonimato, mas de outra forma, provavelmente, não seriam produzidas. De qualquer forma, é o sujeito, individualmente que definirá o propósito de suas intervenções.

Cândida de Oliveira


Ciber-cultura: uma discussão sobre as implicações culturais da cibermídia e do ciberespaço

outubro 15, 2007

O termo ciberespaço como nos relata Adriana de Souza e Silva (2006, p. 21) foi cunhado pelo escritor alemão William Gibson a partir de dois conceitos que já existiam: cibernética e espaço. O conceito fora criado pelo autor para descrever um espaço de informação. Para Gibson, conforme a autora, o ciberespaço se constitui em um espaço imaterial por onde trafega uma determinada informação, mas que independe de uma conexão de sentidos, ou seja, não necessita obrigatoriamente que se faça uso efetivo dessa informação no mundo real/material.

É possivelmente essa desconexão entre real/material e virtual que está presente quando se fala em cibermídia. Denise Correa Araújo usa o termo cibermídia na concepção de Mindy McAdams, o que significa dizer que a cibermídia não exige uma experiência de “imersão” do usuário. A percepção do espaço físico é constante enquanto se utiliza do espaço “virtual” oferecido pela internet.

A partir do uso de tal conceituação, e considerando então cibermídia como o conjunto de mídias digitais existentes, a autora compara a estrutura de rizoma, proposta por Deleuze e Guatari, com a estrutura da rede. Tal comparação surge pelo fato de o rizoma ser pensado como uma estrutura que não tem pontos fixos, nem segue caminhos determinados. Como uma rede de neurônios, pode expandir-se para quaisquer pontos, e não apresenta um centro fixo: poderíamos dizer que é uma estrutura policêntrica. A rede, como sabemos, não apresenta também um centro: é uma estrutura que não segue nenhum tipo de hierarquização, e o usuário pode ir para “onde” quiser, e de um lugar irá para outros sem seguir a nenhuma lógica racional. Podem surgir centros, sites de mais acesso, como podem extinguir-se rapidamente. Podem surgir ainda novos pontos, o que reflete a idéia da expansão do rizoma, assim como podem desaparecer muitos pontos.

Araújo percebe então que a cibermídia, com sua estrutura rizomática, toma a forma de uma cidade digital. Não uma cidade simplesmente, mas uma hipertrópole. O conteúdo oferecido nos diferentes espaços virtuais pode ser comparado com os espaços de uma cidade: podemos fazer compras, serviço de bancos, conhecer pessoas, manter relações sociais, visitar lugares, dentre inúmeras outras possibilidades. Assim, essa suposta hipertópole digital acaba por substituir, para muitos, a cidade real. E além disso, invade a cidade real, já que para sua existência é necessária toda uma estrutura física como cabos de alimentação para a rede e para a energia, computadores. Como falávamos acima, a cibermídia não exige a experiência de imersão, percebe-se a estrutura física quando da navegação. O usuário da rede precisa de um computador, precisa de uma interface. E com a importância adquirida pela rede, mesmo os espaços comuns de sociabilidade da cidade real recebem a presença das máquinas, como acontece, por exemplo em cyber cafés. É uma mudança cultural, que diz respeito às nossas práticas com a internet e com as possibilidades que a cidade digital nos oferece.

Mas se essa experiência de cibermídia permite que saibamos distinguir entre o físico e o digital, Adriana de Souza e Silva traz um novo problema para a reflexão. Em alguns países, e principalmente no Japão, a tecnologia celular desenvolveu-se de maneira muito mais aprofundada do que no Brasil. Os aparelhos chamados de terceira geração permitem, como já acontece mesmo aqui, o uso da internet. Mas aliado a isso, há também o uso de tecnologias de posicionamento. A experiência de sentar-se em frente a um computador e estar conectado, quase deixa de existir, e as pessoas passam a estar conectadas constantemente, através de seu aparelho celular. Parece ser um tanto difícil compreendermos tal relação quando usamos o celular principalmente para a comunicação oral, em ligações, e quando o serviço de internet por celular é ainda oneroso para a maioria das pessoas. Mas se fizermos um esforço poderemos pensar em pessoas usando o celular muito menos para fazer ligações, e mais para outras funções que envolvem o uso da rede. É neste contexto, e com a possibilidade gerada pelas tecnologias de posicionamento, que usuários da internet por celular participam de jogos em que o tabuleiro do jogo é a própria cidade, e em que eles são os personagens.

Souza e Silva nos fala então em um espaço híbrido. A experiência de cibermídia de que nos falava Araújo já não cabe mais aqui, neste espaço em que não se distingue mais o real e o virtual. Nas palavras de Souza e Silva, “eliminando a distinção tradicional entre espaços físicos e digitais, um espaço híbrido ocorre quando não mais se precisa ‘sair’ do espaço físico pra entrar em contato com ambientes digitais”. (op. cit, p. 28). Mas um espaço híbrido não se trata apenas dessa pretensa “união” entre o físico e o digital. Práticas culturais que surgem nessa nova possibilidade de espaço, que agrega o físico e o digital, produzem também uma mudança cultural, e aí os sujeitos passam a perceber de maneira diferente tanto o que já conheciam como físico e também aquilo que conheciam como digital.

E essa mudança cultural, aliás, nos parece ser uma questão central na discussão de comunicação e tecnologias. Os sujeitos passam a perceber e a vivenciar de maneira diferente o que conheciam como real e como “virtual”. Mas isso tudo porque interagem com o sistema, conectam-se e mudam suas práticas. Pessoas que participam de jogos móveis, certamente, verão sua cidade de uma maneira diferente. Mas mesmo para nós, que ainda não temos contato com tecnologias tão avançadas, podemos perceber mudanças a partir de nossas experiências com um ambiente que ainda não é tão híbrido. O contato, ainda que através de interfaces físicas, com conteúdos disponibilizados na internet, muda também nossa percepção. E a mudança cultural altera nossas ações inclusive na maneira de participar de determinados processos aos quais antes a possibilidade de acesso era remota. (É possível hoje, só para citar um exemplo, observar as estrelas sem ter um telescópio, através do Google Sky.)

 

Esse texto foi produzido para a disciplina de Seminário I, no 2º sem/2007. Queremos discutir as implicações da cibermídia e do ciberespaço na transformação da cultura. Participe dando seu comentário!

Cândida de Oliveira e Lara Nasi


“Tribo do Polegar”

outubro 15, 2007

“Li essa matéria na Folha de São Paulo, de 13.10.2007, escrita por Marco Aurélio Canônico e julguei interessante divulgá-la no Blog, pois pelo menos para mim é uma novidade e vale uma discussão sobre o assunto ou pelo menos para ficar informado como anda, ou melhor como voa, o mundo da comunicação.”

Livros para celular viram hit no Japão 

Para os enamorados do papel, tradicional suporte dos livros, pode parecer bizarra a perspectiva de acompanhar um bom texto em uma minúscula telinha de 160 caracteres. Mas, para a jovem geração que ganhou a alcunha de “tribo do polegar” por sua familiaridade com aparelhos portáteis (celulares, joysticks, iPods, etc…) a novidade é apenas um passo lógico na evolução das coisas: literatura, agora é lida por telefones portáteis.

Como hábito quando o assunto são fenômenos tecnológicos, a novidade dos livros para celulares estourou primeiro no Japão -  e “estourou” é o termo adequado para descrever como um mercado inexistente há cinco anos passou a faturar US$ 82 milhões (cerca de R$ 142  milhões) até o ano passado, com estimativa de chegar a US$ 200 milhões (R$ 358 milhões) neste ano, segundo dados de celulares no Japão, a NTTDoCoMo.

O primeiro best-seller do gênero, “Amor Profundo”, do autor conhecido como Yoshi, fez tamanho sucesso nas telinhas que foi publicado como livro tradicional (vendendo 2,6 milhões de cópias) e gerou adaptações para cinema e TV. Histórias de autores populares como MIca Naitoh, são baixadas para os celulares 160 mil vezes por dia, em média.

Cinco dos dez livros de ficção mais vendidos no Japão no primeiro semestre deste ano começaram como obras para portáteis, com vendas médias de 400 mil cópias.

Mesmo com todo esse sucesso, muitos acadêmicos e críticos japoneses afirmam que os livros para celular não merecem ser classificadas como literatura.

“O assunto tá aberto para discussões, ou pelo menos para refletirmos sobre o assunto, pois até posso concordar que esse tipo de livro não seja classificado como literatura, mas que pode ser uma forma de seduzir os nossos jovens e crianças para o mundo da leitura, isso pode, porque são eles que são chamados da “tribo do polegar”. E dessa maneira acredito que a nova geração possa ler muito mais e isso é fundamental no seu desenvolvimento e crescimento como ser humano.”

Amauri Lírio


Seminário I e Novas Tecnologias

outubro 15, 2007

A Disciplina de Seminário I nos possibilitou e nos surpreendeu com os engenhosos de toda ordem que as pessoas fazem na web e na informática, o que podemos perceber é que a velocidade da construção da rede é coletiva e muitas vezes perdemos a compreensão disso e nem só nós como acadêmicos, mas também os empresários, políticos e também as pessoas ligadas à imprensa não conseguem acompanhar a rapidez de tal evolução.            Enquanto um dos criadores da web (o belga Robert Cailliau) elogia os blogs e Wikipédia, ainda assim, diz que a web é um lugar altamente democrático, lugar onde há espaço para todos de igual forma, mas onde o indivíduo que é intelectualmente desenvolvido e capaz de trabalhar, criar alguma coisa, deva receber rendimentos provenientes desta criação e ainda sugere uma espécie de micro pagamentos direto do consumidor aos artistas, longe ainda da realidade, mas com chances de tornar real em pouco tempo. Uso a frase de Cailliau “Acredito que o futuro pertence mais a uma inteligência artificial do que humana”, para refletir de como a web está afetando a nossa vida e não nos damos conta de que se não a usarmos de maneira dosada estaremos perdendo nossos valores e nossa cultura estará sendo modificada e globalizada. Há um ponto das novas tecnologias que podemos analisar como benéfico. Do ponto de vista científico os testes e estudos podem ser feitos à longa distância, só que o conhecimento e ensinamento básico inicial, perdem a humanização o contato físico e isso passa a ser um prejuízo pessoal para as crianças e estudantes mais novos no campo do ensino e da cultura. Ao mesmo tempo em que refletimos sobre novas tecnologias, ficamos com a curiosidade aguçada, mas ainda assim, com certa resistência, pois entramos em um espaço que não conhecemos o que nos deixa inseguros. O uso da web por nós ficava restrito apenas nas rotinas diárias de nossas necessidades básicas, como envio e recebimento de e-mails, pesquisas e algumas leituras de notícias, hoje já pesquisamos sobre outros assuntos, blogs, ouvimos música, assistimos a vídeos e nem nos damos conta de quanto essa atividades básicas e sem importância mexem num contexto muito além do que estamos visualizando. Marcia Regina Haisky Oldenburg


Web, Imagem e Narcisismo

outubro 15, 2007

O olhar que constrói

Estamos no limiar de uma nova era: globalização, hiper, pós-modernidade, fragmentação e deslocamento de identidades. Culturas híbridas, cibercultura, mercados massificados, mercados segmentados.

Esse é o mundo contemporâneo. Esse é o mundo que é construído pelo homem através de imagens fabricadas, de representações, e mais: são as imagens que fazem a mediação do homem com o mundo.

            A própria subjetividade humana é construída através de imagens: o sujeito só se constituí como tal a partir de sua relação com a imagem do Outro. Descartes dizia que “penso, logo existo”, isto é, a afirmação da existência humana se daria através de um raciocínio lógico, metódico e individual; acreditamos que seria melhor dizer que “eu sou porque não me vejo no Outro”.

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Continuamos o texto falando sobre narcisismo e a imagem na web. Quem quiser ler na íntegra, clique aqui.

 Augusto Salla e Camila Marin


O mundo virtual e algumas de suas influências na sociedade contemporânea

outubro 14, 2007

Pessoal,

 Depois de muitas discussões em sala de aula, meu trabalho final de Seminário I foi sobre as influências da internet na sociedade. Claro que por serem inúmeras essas influências eu não pude colocar tudo no meu texto, porém gostaria de compartilhar com vcs e aproveitar o blog para dar continuidade a essa discussão. Então se tem alguém que se interessa, o espaço está ai para comentários.

           O homem está começando a perder o controle sobre toda essa tecnologia digital. Existem pessoas que já não conseguem diferenciar o mundo real do virtual. A  virtualidade passou a fazer parte da sociedade com tal força e influência que pode ser comparada a mesma influência que a energia elétrica fez na sociedade quando foi criada. Nada funciona na sociedade contemporânea sem energia elétrica, e o mesmo está acontecendo com o mundo virtual. No mercado econômico já se percebe esta necessidade e ligação. A sociedade contemporânea conseguirá ficar dominando a tecnologia digital, ou chegará um momento em que a virtualidade dominará o homem?           

Recordamos um pouco a história para que possamos entender o que é a tecnologia virtual para o ser humano. Sabe-se que o homem evoluiu na medida em que buscava algo para suprir suas necessidades. O desenvolvimento das civilizações e a evolução do processo comunicacional ocorrem juntamente, por ser a comunicação um processo social restrito do ser humano, e esse incapaz de sobreviver isolado. Afirmando essa ligação Antonio Hohlfeldt diz, que todo desenvolvimento depende de um eficiente sistema de comunicação para ser legitimado.           

 As principais fases da evolução da comunicação estão justamente nos apogeus da história das civilizações. Como exemplo temos a Grécia, que foi marcada pelos sofistas que deram origem aos principais filósofos da história humana. A Grécia conquistou um enorme respeito devido a sua cultura intelectual ateniense e militar espartana. Outro marco, foi a Revolução Industrial na França, que possibilitou a massificação da cultura a partir do momento em que a produção passou a ser em série. A partir de então as descobertas tecnológicas tornam-se cada vez mais visíveis e seqüentes, fazendo com que a modernidade possibilite ao homem a expansão e difusão das informações. As distâncias geográficas diminuem com a invenção da Internet. O globo terrestre torna-se uma só aldeia. O universo do homem torna-se uma imensa comunidade, como diz Hohlfeldt, na sua análise em seu texto “As origens antigas: a comunicação e as civilizações”.           

O século em que vivemos é marcado pela emergência constante de novas tecnologias de informação. A freqüência que essa evolução tem é tão grande, que em questão de meses as tecnologias inventadas passam a serem defasadas, devido ao surgimento de outras mais potentes e melhores. O que antes levava séculos para ser criado, hoje é substituído ou considerado defasado em meses por novas tecnologias. A televisão a cores substituiu a televisão preto e branco. O MP3 é mais barato porque já se tem o MP4 e o MP5 e assim por diante. As informações são transmitidas  em tempo real. O mercado de trabalho funciona através dessa virtualidade. O mundo virtual torna-se indispensável no dia-a-dia humano por ser muito prático, dinâmico e fácil. A frenética aplicabilidade virtual reflete diretamente na sociedade que hoje é mais liberal, aberta e flexível.          

  A Era digital, como também é conhecida nossa atualidade, traz ao homem a possibilidade da conexão ao mundo em tempo real, através da rede, sem precisar sair de sua casa. A virtualidade é fascinante aos olhos da sociedade. Através da Internet você pode estar em todos os lugares e conhecer tudo a respeito do mundo com alguns “cliks”. Quebra-se com todas as fronteiras geográficas. Para o mundo virtual o globo terrestre torna-se desterritorializado. O espaço virtual consegue mesclar todas as culturas. Surge então novos conceitos como ciberespaço, cibercultura e cibermídia.           

O ciberespaço para Pierre Lévy é o “espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores e das memórias dos computadores” (LÉVY, 1999, p. 92). O autor defende a idéia de que o ciberespaço se tornará o “principal canal de comunicação e suporte de memória da humanidade” (LÉVY, 1999, p. 93) e de fato isso acontece. A virtualidade dominou as rotinas do homem. Hoje as práticas digitais são vistas em qualquer situação diária, temos o cartão de crédito que está ocupando o espaço que antes era dominado pelo dinheiro em papel, os filmes são elaborados com alta tecnologia digital que dão mais ficção aos efeitos das cenas, os celulares são na maioria digitais e aqueles que possuem sistema analógico estão sendo trocados por digitais pelas operadoras, os contatos e relacionamentos entre os humanos são cada vez mais comuns acontecerem virtualmente através de ferramentas como MSN, ICQ, e-mail, Orkut, Skype e tantas outras tecnologias. 

 o ciberespaço encoraja um estilo de relacionamento quase independente dos lugares geográficos (telecomunicação, telespresença) e da conincidência dos tempos (comunicação assíncrona). (…) a extensão do ciberespaço acompanha e acelera uma virtualização geral da economia e da sociedade. (LÉVY,1999, p. 49)  

A pós-modernidade conseguiu a multiplicidade e entrelaçamento radical das épocas em virtude da cibercultura. A cibercultura consegue ser uma maneira de expressão e comunicação pessoal para a sociedade, pois permite que todos com acesso a Internet, possam expressar suas idéias e criatividades de maneira que este conteúdo torne-se acessível para quem quiser e estiver online.A cibercultura baseia-se no princípio da “re-mixagem”, ou seja, é um “conjunto de práticas sociais e comunicacionais de combinações, colagens, cut-up de informação a partir das tecnologias digitais” (ARAUJO, 2006, pág 52. Texto de André LEMOS). Para entender um pouco melhor da cibercultura, é preciso conhecer sua estrutura, que segundo André Lemos, está formada por um tripé composto pela liberação do pólo de emissão, conexão em rede e reconfiguração de formatos midiáticos e práticas sociais. 

As vozes que se somam no ciberespaço representam grupos identificados com causas e comprometimentos comuns, a partir da diversidade de campos de interesse (educação, saúde, direitos humanos e trabalhistas, cidadania, minorias  e etnias, meio ambiente, ecologia, desenvolvimento sustentável, defesa do consumidor, cooperativismo, habitação, economia popular, reforma agrária, AIDS, sexualidade, crianças e adolescentes, religiões, combate à fome, emprego, comunicação e informação, arte e cultura), metodologias de atuação (movimentos autônomos ou redes), de horizontes estratégicos (curto, médio e longo prazos) e de raios de abrangência (internacional, nacional, regional ou local). Essas variáveis, muitas vezes, entrelaçam-se, fazendo convergir formas operativas e atividades. (MORAES, 2001, p. 126.)                

Moraes refere-se nesta passagem aos movimentos sociais na internet, mas podemos analisar no mesmo contexto que vínhamos trabalhando de cibercultura, pois a idéia principal de ambos é a interação e disseminação de idéias. Para Pierre Levy, a cibercultura pode ser considerada uma construção de laço social, onde existe uma relação humana desterritorializada, transversal e livre.            

Ao mesclarmos todas essas mídias digitais e os ambientes “cíbridos” obtemos a chamada cibermídia, que pode ser comparada a uma teia que possui vários caminhos e está envolvida por interfaces externas.

 …conjunto de mídias digitais em ambientes cíbridos fixos ou móveis, construídos pelo hardware e software, significando o computador fixo e todos os seus aplicativos e interfaces, incluindo a www e a Internet, os browsers de navegação e os CD_Roms e as interfaces externas, como telefonia celular móvel, as tecnologias wireless  e até mesmo os ciber centers e as lan houses. (ARAUJO, 2006, p.192)            

Todos esses termos partem de apenas um pressuposto, que o mundo estaria agora interligado através de uma rede, podendo ser comparado a um “rizoma”, como explica Denize Correa Araújo no seu texto “’Hipertrópole digital’: a cibermídia como cidade rizomática”, onde a tecnologia digital e a navegação crescem para todas as direções, sendo sistemas interativos.            

 Toda essa aplicabilidade virtual nos impossibilita de descrevê-la por completo por ser imensa. O recorte proposto é das influências da Internet na sociedade.Como já foi dito, a tecnologia digital reforçou a arte pós-moderna e essa radicalidade, possibilitou que todo indíviduo que tem posse ou contato com essa tecnologia, possa emitir e receber informações em tempo real. Com a Internet é possível então a máxima da emergência dos dicursos e idéias. A rede se configura  a partir do computador que mantém a idéia de conectividade generalizada e toda essa remodelagem ou remedição que se forma, pode ser considerada uma reconfiguração das práticas sociais, que não deixaram de existir, porém se modelam de acordo com essa nova idéia. A sociedade consegue hoje se expressar através da arte eletrônica, evitando crises de conservação. A total liberdade de expressão que ocorre na Internert é visível através dos blogs, por exemplo, que são formas de publicação de qualquer pessoa com qualquer caráter, possibilitando a formação de conceitos, a discussão de situações, a narração de fatos, servindo de saída para o surgimento de vozes com autenticidade sem inibição de cesuras. Outra forma de aplicabilidade são os podcasts, um sistema de difusão de conteúdos sonoros que surgiu em 2004, segundo Lemos. Os podcats permitem que o ouvinte vire produtor, difundindo o seu próprio rádio. Esta prática não terminará com o meio analógico, apenas é mais um formato disponível para os usuários.A Internet é o principal meio de formação de comunidades virtuais, ou seja, principal meio de reunir pessoas que possuem os mesmos gostos e estilos. O cibergoticismo é um exemplo desta prática. Conforme Adriana Amaral, que fez um estudo sobre esta forma de sociabilidade, onde se mistura a estética gótica e o estilo musical eletrônico, expressados na rede social MySpace, o cibergoticismo pode ser considerado a arte da assombração, pois faz ressurgir a cultura gótica da idade média mesclando o estilo musical electro-industrial.            

 As influências virtuais tornam-se imperceptíveis na sociedade contemporânea. Possuímos hoje um arcenal de informações volúveis que nos bombardeiam por todos os lados. As novas formas de acesso à essas informações nos garantem um poder de escolha maior, quando se tem acesso as ferramentas virtuais como a navegação e mecanismos de pesquisas na internet. As verdades lançadas por uma mídia agora são contestadas virtualmente por grupos opostos e de opiniões diferentes. Ao mesmo tempo que vamos obtendo as informações elas vão sendo engolidas sem passarem por um processo de reflexão, e isso provoca no ser humano o desenvolvimento de uma memória curta. O novo estilo de raciocínio em massa é cada vez mais volúvel. O conhecimento virtual pode ser supérfluo quando não se tem uma base científica formada. A objetividade dos documentos digitais, transforma tudo muito dinâmico e veloz, sem muito tempo para reflexões.O leque de conhecimento que está a nossa disposição é muito amplo e isso nos possibilita uma enorme variedade de conceitos e opiniões quanto aos fatos que estão ocorrendo, além da possibilidade de escolha conforme nosso interesse. Podemos, como foi dito antes, nos alimentar de informações dinamicamente e adquirir prós e contras acerca do fato, de forma mais transparente do que quando manipulado pela mídia televisiva ou impressa.A Internet também pode nos colocar em uma situação de risco enquanto estamos online, pois quando online ficamos vulneráveis a golpes, rackers, vírus, exposição de nossa imagem para uso indevido e inúmeros outros casos. Quantos de nós já não fomos vítimas de vírus?Ou quantos já não ouviram os casos de rackers que burlaram a segurança de um banco, conseguindo senhas e transferindo dinheiro para suas contas? Para piorar o quadro negativo da Internet, já existem estudos que buscam a comprovação de que a Internet pode ser um vício para as pessoas. Existem inúmeros registros de casos em que algumas pessoas ficam horas na frente do computador, navegando sem parar para comer e dormir, esquecendo da sua vida social, do seu contato com amigos, do seu relacionamento humano dentro da sociedade, de lado, esquecido. Geralmente os casos registrados foram com jovens e adolescentes. Uma discussão sobre este assunto foi postada recentemente no blog da turma, onde entre os depoimentos dados, o adolescente chegou a comparar a internet com droga.            

Então, voltamos a questão aberta logo no inicio da resenha, a sociedade contemporânea conseguirá ficar dominando a tecnologia digital, ou chegará um momento em que a virtualidade dominará o homem? Se não existir uma consciência por parte dos usuários desta tecnologia digital, as pessoas serão dominadas pelo mundo virtual sim, como já está acontecendo. Quanto à sociedade, ela já gira em torno da virtualidade, querendo ou não, a dominação desta tecnologia já tomou conta da contemporaneidade. A economia, política e cultura já estão funcionando conforme as funções virtuais. 

   REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

AMARAL, Adriana. A estética cibergótica na internet: música e sociabilidade na comunciação do MySpace. In: Comunicação, Mídia e Consumo: comunicação e arte. Escola Superior de Propaganda e Marketing. Ano 4, v. 4, n. 9. São Paulo: ESPM, 2007, p. 87-103. 

ARAÚJO, Denize Correa. “Hipertrópole digital”: a cibermídia como cidade rizomática. In: LEMOS, André; BERGER, Christa; BARBOSA, Marialva (orgs.). Narrativas midiáticas contemporâneas. Livro da XIV Campo 2005. Porto Alegre: Sulina, 2006, p. 191-206. 

LEMOS, André. Ciber-cultura-remix. In: ARAUJO, Denize Correa (org.). Imagens (Ir) realidade: comunicação e cibermídia. Porto Alegre: Sulina, 2006, p. 52-65. LEVY, Pierre. O movimento social da cibercultura. In Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999, p. 123-157. (tradução de Carlos Irineu da Costa – Coleção TRANS) 

MORAES, Denis. O concreto e o virtual: mídia, cultura e tecnologia. Rio de Janeiro: DP&A, 2001, 148 p.)

Cheila Araújo – Relações Públicas


Presença na WEB: Cuidado com os aspectos culturais

outubro 12, 2007

Todos sabemos que, no mundo dos negócios, a simples transposição para outro
ambiente de fórmulas que deram certo numa determinada situação, pode gerar
desastres, de maiores ou menores proporções.
Vários casos de desastres, ocorridos ou evitados, podem ser lembrados: as
sopas Campbell, sucesso nos Estados Unidos foram aqui um retumbante
fracasso; McDonald’s na Índia lutou muito para conseguir vender hamburgeres
de carne de carneiro; consta que a General Motors pretendia lançar o Monza
no Brasil com o nome de Astra, não o fazendo para evitar riscos em função da
popular marca de assentos sanitários – muitos outros casos podem ser
lembrados; aliás, a indústria automobilística toma especiais cuidados com o
assunto, buscando não apenas otimizar seus investimentos em marketing como
também evitar problemas – já pensaram a Ford lançando aqui seu modelo
“Pinto”? O modelo foi lançado, mas com outro nome: Corcel.
Bem mais recente, o caso “PetroBrax”, que ainda está fazendo estragos nas
fileiras do governo federal. Com referência esse caso, temos que admitir o
prazer sádico que sentimos ao “malhar” os governos; por não sermos
profissional de marketing, não temos condições de opinar acerca do assunto
de forma séria, mas recomendamos a leitura de artigo publicado recentemente
em ‘”O Estado de S. Paulo”, no qual o   Prof. Roberto Macedo  corajosamente
expõe sua opinião acerca do assunto, inclusive brincando com o significado
do sufixo “bras” em inglês…
Nesses tempos, em que as empresas se expõem não apenas através da mídia
tradicional, mas também (e em breve principalmente), através de canais como
TV a cabo e Internet, cabem cuidados especiais em relação aos aspectos
culturais que devem ser levados em conta ao se planejar essa exposição, seja
através de propaganda, seja através de sites de comércio eletrônico;
evidentemente, aspectos técnicos, tributários, legais e outros devem ser
levados em conta, mas nesse artigo vamos nos restringir aos   aspectos
culturais. Segundo o International Data Corporation (IDC), grupo que
pesquisa o mercado de Tecnologia da Informação, dentro de três anos 39% dos
internautas vão estar acessando sites utilizando outros idiomas que não o
inglês; nesse cenário, segundo o mesmo estudo, 55% das empresas americanas
nada fizeram até agora para customizar seus sites às necessidades desses
internautas; dados esses números, fica clara a grande possibilidade de
surgimento de problemas gerados por diferenças culturais.
Sites contém imagens, e algumas imagens que são absolutamente normais e até
simpáticas em alguns lugares, podem ter um significado vulgar, dúbio ou
altamente ofensivo em outros: são exemplos o gesto que significa “OK” nos
Estados Unidos, com os dedos polegar e indicador unidos pelas pontas e tem
um significado totalmente diferente aqui no Brasil; imagens de homens
andando de mãos dadas são normais no Oriente e tem uma conotação totalmente
diferente no Ocidente; uma imagem de uma pessoa recebendo algo com a mão
esquerda é inadmissível na Índia, e assim por diante.
Além das imagens, há obviamente o problema dos textos: como um website deve
tratar dialetos de um mesmo idioma ou até mesmo “versões” diferentes de uma
mesma língua, como o português do Brasil e de Portugal, ou ainda pior, as
“n” versões do espanhol falado na América Latina? Por falar nisso, alguém
sabe o que é um motoconcho? É a expressão utilizada na República Dominicana
para uma moto utilizada como táxi. E guaga? Criança pequena, e no Chile,
também os microônibus.
Um dos desastre célebres na área dos textos foi o da Pepsi na China, cujo
slogan “Come alive with the Pepsi Generation” (algo como “Viva como a
geração Pepsi”) acabou sendo traduzido para alguma coisa como “Pepsi traz
seus ancestrais de volta do túmulo”…
Ainda na área dos textos, ainda há o caso das traduções quase literais, que
geram frases de duplo sentido, como a que constaria de um cartaz afixado
numa lavanderia de Roma: “Ladies, leave your clothes here and spend the
afternoon having a good time”, em que o tradutor provavelmente quis dizer
“Senhoras, deixem sua roupa suja aqui e divirtam-se durante a tarde enquanto
a lavamos”, mas que em bom inglês significa algo como “Senhoras, deixem suas
roupas aqui e divirtam-se”, num sentido bastante malicioso… Como se trata
de um cartaz italiano, vale a pena lembrar a expressão italiana: “Traduttore
= traditore”…
Além disso, há os falsos cognatos – as palavras do tipo “parece mas não é”:
a melhor tradução para “produced a gun” não é “produziu uma arma”, mas sim
“sacou uma arma”. Esse problema tende a ficar sério para nós brasileiros,
que quase todos nos gabamos de compreender o espanhol – com o aumento das
relações comerciais e culturais geradas pelo Mercosul, temos que ficar
atentos para palavras como: “cachorro”, que em espanhol significa filhote,
de qualquer mamífero – em alguns lugares a palavra é usada inclusive de
forma afetiva, no sentido de “filhinho” – já “cão”, deve ser traduzido como
“perro”. E “embarazar”, que em espanhol não significa embaraçar, mas
engravidar?
Até mesmo cores podem ser um problema sério: em alguns países do Extremo
Oriente, o negro tem um significado mórbido, ligado à morte, ao azar.
De tudo isso fica a lição que nunca custa relembrar: comércio eletrônico
abre uma série de possibilidades para as empresas, mas traz também uma série
de riscos, que devem ser gerenciados de forma profissional – no mundo
virtual, quando se pretende trabalhar a sério, mesmo se tratando de pequenos
negócios, não há lugar para amadorismo – aqueles que acham que contratando
um garoto que faz uns sites bonitinhos estão garantindo seu sucesso no mundo
dos negócios na Web, estão redondamente enganados!

*Vivaldo José Breternitz é professor universitário e executivo de
instituição financeira

Aluna: Isabel Caline – RP


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